terça-feira, novembro 08, 2005

Saramago/Manuel Alegre
















O meu escritor de coração: Manuel Alegre!

O meu escritor de eleição: Saramago!
Podemos amar um homem, dois ou três, desde que a obra que produzem, nos faça sonhar!


"Ensaio sobre a cegueira" O livro

"Trovas do tempo que passa" Liberdade "

"Ensaio sobre a lucidez" Reflexões

"Uma flor de verde pinho" A canção

“Evangelho segundo Jesus Cristo” Enigma

“Coisa Amar” A voz

"As Intermitências da Morte” Mistério

“Debaixo das Oliveiras” O amor

“Jangada de pedra” A Pátria

“Cão como nós” Amizade

sábado, novembro 05, 2005

VIOLÊNCIA NAS CRIANÇAS!!

Recebi hoje este E-mail, que me sensibilizou imenso, não só por ser triste e muito real infelizmente, mas também me chamou a atenção por ele me ter sido enviado por uma criança minha amiga, o Ricardo. Obrigado amiguinho!
Quando as sociedades e os Governos, deixam que isto aconteça, acho que batemos no fundo. No fundo da dignidade
humana, no respeito por nós próprios.

Por todas as Sarah deste mundo acabem com a Violência nas CRIANÇAS.

Façamos alguma coisa por estes meninos que calados sofrem o desprezo das sociedades conservadoras, vamos denunciar pessoas como o pai da Sarah, que vivem na nossa sociedade, a coberto do medo e do desinteresse pelos problemas de quem vive mesmo ao nosso lado. Vamos dar as mãos pelas Sarahs do Mundo, para que elas possam viver em paz e com a dignidade que merecem.



O meu nome é Sarah
Tenho 3 anos
Os meus olhos estão inchados
Não consigo ver,
Eu devo ser estupida
Eu devo ser má,
O que mais poderia por
o meu pai em tal
estado?
Eu gostaria de ser melhor
Gostaria de ser menos feia
então, talvez a minha mãe
me viesse sempre dar miminhos.
Eu não posso falar
Eu não posso fazer asneiras
senão fico trancada todo o dia.
Quando eu acordo estou sozinha
A casa está escura
Os meus pais não estão em casa.
Quando a minha mãe chega,
Eu tento ser amável, senão eu talvez levaria uma chocotada á noite.
Não faças barulho!
Acabo de ouvir um carro
O meu pai chega do bar do Charlie.
Ouço-o dizer palavrões.
Ele chama-me.
Eu aperto-me contra o muro.
Tento-me esconder dos seus olhos demoníacos.
Tenho tanto medo agora.
Começo a chorar.
Ele encontra-me a chorar
Ele atira-me com palavras más,
Ele diz que a culpa é minha
Que ele sofra no trabalho.
Ele esbofeteia-me e bate-me
e berra comigo ainda mais,
eu liberto-me finalmente
e corro até á porta.
Ele já a trancou.
Eu enrolo-me toda em bola
Ele agarra em mim e lança-me
contra o muro.
Eu caio no chão com os meus ossos quase partidos,
e o meu dia continua
com horriveis palavras...
"Eu lamento muito!", eu grito
Mas já é tarde de mais
O seu rosto tornou-se
num ódio inimaginável.
O mal e as feridas mais e mais
Meu Deus por favor, tenha piedade!
faz com que isto acabe por favor!
e finalmente ele pára
e vai para a porta,
enquanto eu fico deitada,
imóvel no chão.
O meu nome é Sarah
Tenho 3 anos, esta noite o meu
pai matou-me.

quinta-feira, outubro 27, 2005

"Sou analfabeta e nunca fui à escola"

Fui acusada de só falar em política aqui no meu amado cantinho, por isso não tem interesse. Fiquei triste, claro que fiquei.
Falo sim em política, porque gosto de política, mas também falo de outras coisas quando me apetece.
Mas hoje vou misturar um pouco as coisas e fazer um bolo de coisas amargas.
Estava eu a ver um filme Português, é outro dos meus males, gosto de filmes Portugueses, principalmente de Manoel de Oliveira, estou pior do que pensava, dizem uns, não tem cura, dirão outros, quero lá saber, cheguei a uma idade que faço e digo aquilo que me apetece.
Ora bem, voltando ao filme, dizia a certa altura uma “técnica de limpeza” vulgo, mulher-a-dias.
_ "Posso dar a minha opinião? É que sou analfabeto, nada sei de letras, nem de números, e nunca fui à escola. Mas sinto quando as coisas estão mal ou não me agradam e queria dar a minha opinião".
A greve dos juízes, magistrados e afins, pergunto eu que sou analfabeta e nunca andei na escola, como vocês já sabem, terá algum sentido? Quando eu comecei a servir, trabalhar em casa dos Srs. Juízes era uma lotaria que só calhava a quem tinha cunhas, não era por isso para toda a gente. Eram senhores de grande poder económico, boas casas, bons carros, e férias só do melhor em Países lá de fora e tinham que ser os melhores dos melhores.
Os tempos passam, o país está de rastos dizem, os senhores Juízes já não ganham bem, não tem carro, nem boas casas e mais triste ainda, não vão de férias nem cá nem lá fora, até tem de ir para a rua pedir ao governo sei lá o que, não entendi lá muito bem!!
Todo o pessoal dos tribunais resolveram seguir os Magistrados, não percebi está.
Os professores a mesma coisa, estão pelas ruas da amargura.
Eu sei o que isto é, pois só ganho o mínimo nacional, e tenho a segurança social como único recurso quando os meus ficam doentes. Se quero consulta, tenho de lá estar à porta às 3 da madrugada. Mas que sei eu destas coisas, "sou analfabeta e nunca andei na escola".
Tudo está descontente, tudo grita e esbraceja, até os cristãos de uma igreja, berravam com o padre, o outro dia na TV.
As crianças nas escolas gritam a plenos pulmões que querem escolas novas e outras coisas mais.
Ainda hei-de ver a Lili Caneças e o Castelo Branco a fazer manifestações para reivindicarem mais festas do Jet Set. Sim, porque se isto está assim tão maus, já não há dessas coisas, pois não?
Agora ainda por cima, já não bastava estarmos tão mal, temos a Gripe das Aves.
Os frangos e as outras espécies lá da capoeira, com estas modernices dos últimos tempos, não las podemos comer. Dizem que estão doentes, até já morreu um papagaio em Inglaterra e uns cisnes noutro país da Europa, é muito preocupante, logo agora que tinha deitado a galinha preta com os ovos para chocar. Porca miséria esta!!
Aqui apareceram umas gaivotas mortas, era lá para as Berlengas, afinal, morreram porque tinham de morrem, morte natural, dizem os entendidos, todos os anos morrem muitas gaivotas e gansos selvagem lá para as Berlengas, deve ser enjoo, aquele mar é um perigo.
Os porcos e as vacas também têm uma doença, mas como a paranóia é com as aves agora já os podemos comer e sabem muito bem.
O melhor é não ligar a esta loucura toda, não ver a TV e a Rádio e seja o que Deus quiser, que se entendam que eu tenho mais que fazer, desde as 6 da manhã até lá para a meia-noite, que ando a trabalhar para ganhar uns tostões… mas isto sou eu a falar, que "sou analfabeta e nunca fui à escola".

sábado, outubro 22, 2005

Para um amigo de coração negro!


Menino de olhar negro,

Longe vai o tempo em que,

Deixaste a terra vermelha de sol ardente.

Abandonaste a fonte da tua vida!

A fome e a miséria.

E partiste da terra amada,

Com a revolta no peito e lágrimas nos olhos.

Deram-te amor, fortuna e amigos,

Viveste rodeado de carinho e fartura

Zelaram pelo teu sono

Velaram pelas tuas doenças

Limparam as tuas feridas.

Perdoaram os teus erros.

Mas… Nada para ti chegou…

Porque a mãe terra chamava por ti.

O feitiço da terra em teu peito

Calava a voz da razão.

Nos teus sonhos de menino homem

Sempre amaste o passado

Nos versos que escrevias

Lia-se a paixão da Africa amada

Versos de amor e paixão,

Versos de sofrimento

De revolta e de dor.

Lutaste e foste vencido

Na doença, na dor e no isolamento

Revolta do homem menino.

Finalmente quebraste as amarras,

Que te prendiam a este mundo e partiste…

Na praia a olhar o horizonte

Esticaste a tua mão enorme e apontaste para longe!

No olhar já sem vida,

Brilhou uma luz de esperança.

E… África ali tão perto!

Amigo, onde quer que estejas, estás feliz de certeza, porque és livre! Finalmente encontras-te a paz que tanto procuravas.

Para um amigo de coração negro!

Músicas!!

Há músicas que se ouvem, passam e seguem anónimas sem deixar marcas, como folhas perdidas ao vento, outras pórem, tem o condão de nos prender à vida, despertando sentimentos.
Pedro Abrunhosa, é um dos compositores portugueses de que mais gosto, a voz rouca, sem agudos, mas com graves suficientes para nos embalar na melodia certa para despertar os sentidos.
Para quem gosta da música do Pedro, ouvir é
simplesmente o infinito.

Composição: Pedro Abrunhosa

Eu não sei quem te perdeu

Quando veio,
Mostrou-me as mãos vazias,
As mãos como os meus dias,
Tão leves e banais.
E pediu-me
Que lhe levasse o medo,
Eu disse-lhe um segredo:
"Não partas nunca mais".

E dançou,
Rodou no chão molhado,
Num beijo apertado
De barco contra o cais.

E uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu.

Abraçou-me
Como se abraça o tempo,
A vida num momento
Em gestos nunca iguais.
E parou,
Cantou contra o meu peito,
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais.

E partiu,
Sem me dizer o nome,
Levando-me o perfume
De tantas noites mais.

E uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu
.





Pedro Abrunhosa

Se eu fosse um dia o teu olhar

Frio
O mar
Por entre o corpo
Fraco de lutar
Quente,
O chão
Onde te estendo
Onde te levo a razão.
Longa a noite
E só o sol
Quebra o silêncio,
Madrugada de cristal.
Leve, lento, nu, fiel
E este vento
Que te navega na pele.
Pede-me a paz
Dou-te o mundo
Louco, livre assim sou eu
(Um pouco +...)
Solta-te a voz lá do fundo,
Grita, mostra-me a cor do céu.

Se eu fosse um dia o teu olhar,
E tu as minhas mãos também,
se eu fosse um dia o respirar
E tu perfume de ninguém.
Se eu fosse um dia o teu olhar,
E tu as minhas mãos também,
se eu fosse um dia o respirar
E tu perfume de ninguém.

Sangue,
Ardente,
Fermenta e torna aos
Dedos de papel.
Luz,
Dormente,
Suavemente pinta o teu rosto a
pincel.
Largo a espera,
E sigo o sul,
Perco a quimera
Meu anjo azul.
Fica, forte, sê amada,
Quero que saibas
Que ainda não te disse nada.
Pede-me a paz
Dou-te o mundo
Louco, livre assim sou eu
(Um pouco +...)
Solta-te a voz lá do fundo,
Grita, mostra-me a cor do céu.

Se eu fosse um dia o teu olhar,
E tu as minhas mãos também,
se eu fosse um dia o respirar
E tu perfume de ninguém.
Se eu fosse um dia o teu olhar,
E tu as minhas mãos também,
se eu fosse um dia o respirar
E tu perfume de ninguém.

domingo, outubro 16, 2005

Fenómenos!!

Cheguei a uma conclusão depois das eleições autárquicas, pelo menos aqui no Bombarral, ganhou quem o Povo quis, através do voto nas urnas, e ainda nem tomou pose o novo executivo e já está instalado o desconforto entre a população e o mais grave e fenomenal acontecido é que ninguém votou nos senhores que vão tomar pose por legitimo direito, muito em breve.
Fenómeno do Entroncamento, ou melhor do Bombarral? Fraude eleitoral?

Nada disso...

Por toda a parte se ouve dizer que não querem determinada fruta, o novo Presidente tem a alcunha de uma fruta, outros tem a dita fruta à venda por não a quererem consumir. Afinal quem votou no novo executivo? Onde então os 40,5% que votou PSD? Aonde é que está a coerência desta gente? Deitar areia para os olhos dos que afinal não votaram no PSD? Ou já toda a gente se arrependeu?

As pessoas não querem ter responsabilidades com as atitudes que toma, votam no partido, independentemente de quem lá esteja e depois... não é nada com eles e começam a dizer mal e a criticar, mesmo antes de. É tipico do Português.

Vamos ver o que o novo executivo vai fazer, a Câmara tem maioria de esquerda, 3 PSD, 3 PS, 1 CDU. Tudo pode acontecer! A Vila do Bombarral já esteve inactiva demasiado tempo, para nos darmos ao luxo de não apoiar o novo Presidente e deitarmos tudo a perder, não esquecer que o voto é a arma do povo e que quando ele vota, mesmo que esteja errado, democraticamente tem de ser aceite, por muito que isso doa, estamos sempre a tempo de mudar o nosso voto, é só esperar 4 anos. Por enquanto vamos dar o benefício da dúvida.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Resumo de uma Campanha Eleitoral!

A Campanha Eleitoral acabou e voltámos novamente a esta monotonia e pasmaceira que nos habituámos nestas terras perdidas no Oeste.

O abandono a que foi votada nestes anos deu origem a uma terra sem desenvolvimento, nem modernidade, perdida na neblina dos tempos.

Fica a recordação muito agradável de calcorrear as ruas e ruelas deste Conselho descobrindo verdadeiros tesouros em cada freguesia, cada aldeia, em cada monte e vale.

Solares de aspecto rústico e encantos mil, cada história mais deslumbrante uma que a outra, só possível de descobrir quem percorre a pé estas ruas, ruelas e calçadas. Visitando Famões, Portela, Pó, Baraçais, Delgada, S. Mamade, Roliça, etc... etc... etc.

Dois pontos a não perder nesta viagem turística pelo Oeste e especialmente a terras do Conselho do Bombarral, é A-dos-Ruivos e Carvalhal. A-Dos-Ruivos, é uma surpresa muito agradável, pela sua arquitectura, limpeza e beleza natural, Carvalhal, aldeia histórica, rica em monumentos, igrejas e casas de aspecto nobre. A calma e o sossego destas terras trás-nos a paz que tanto precisamos. Algumas casas Senhoriais são pertença de gentes de Lisboa e por isso se encontrarem fechadas, dando um aspecto desertificado às aldeias.

Outros edifícios meio destruídos por desinteresse de herdeiros ou do poder local que deixa à intempérie verdadeiras jóias da Arquitectura Portuguesa, que acabam por se perder para sempre no tempo e na memória dos homens.

A Vinha, o Vinho e os pomares de Pêra Rocha são a riqueza destas gentes, que trabalham no campo com fervor e dedicação durante todo o dia.

Provei água-pé, néctar dos deuses, feita com mil cuidados para a sua boa comercialização, as peras Rochas, maduras, sumarentas e duma doçura extrema, dignas de mesa de Rei.

Para finalizar a minha experiência nesta campanha eleitoral, que foi para mim enriquecedora, o contacto com a gente rural destas Terras foi particularmente gratificante. O agricultor é homem duro, inteligente e digno, é pena que viva isolado dos grandes centros, sem contacto com os meios mais tecnologicamente desenvolvidos, para o poder ajudar no seu dia a dia, facilitando o seu trabalho e o seu desenvolvimento.

Um Concelho voltado politicamente à direita, graças ao seu isolamento e marginalização, que os senhores da terra têm feito questão em manter.

É pena que tenhamos de permanecer mais 4 anos, mais que na mesma, politicamente falando, mas o povo é soberano no seu julgamento e não me cabe a mim culpar ninguém.

Fiz o melhor que a minha consciência me ditou, guiada pela honestidade e sobriedade, respeitando e fazendo-me respeitar.

A pouco e pouco as pessoas vão vendo se erraram ou não e estão sempre a tempo de mudar.

Daqui a 4 anos há mais.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Amor!

Rosa do deserto 

Queria amar uma pedra

Queria amar o teu rosto
Queria amar-te a ti
Queria... queria...

Sou a água
Fria, indiferente e cansada
Serpenteando as margens
No silêncio dos sentidos
Da noite calada

Sigo o meu rio de incertezas
E corro mansamente
Por entre as pedras do leito
Sem olhar a foz!
Sem sentir o vento!

Queria amar uma pedra
Sem ter medo de odiar
Queria amar o teu rosto
Sem ter medo de errar

Queria amar-te a ti
Dar-te o meu mundo
E tirar de mim
Este medo de te perder!

Franky



domingo, setembro 25, 2005

Amigos!


A preguiça tem feito de mim sua prisioneira. Nada do que eu pense ou sinta, consigo passar para o “papel”. É uma espécie de adormecimento. Não sei se é bom ou mau sinal, simplesmente sinto um vazio na alma que me deixa sem sentimentos.

Será por me sentir vazia de amizades verdadeiras? Elas existem? As verdadeiras?

As que nos fazem sentir importantes e felizes, aquelas por quem damos a nossa vida se for preciso, aquelas por quem fazemos frente às adversidades e inimigos. Aquelas amizades que estão ali ao nosso lado, mesmo que da nossa boca saíam por vezes incorrecções e imperfeições. Mas…Não somos nós seres humanos os que erramos? E não somos nós amigos que perdoamos?

Os amigos, quais amigos? Os da Net? Aqueles que não conhecemos pessoalmente? Não existem! Ou será que existem e são os mais puros amigos? Aqueles que não conhecemos o seu rosto, o seu sorriso, a sua lágrima. Mas porque os amamos se nunca os vimos? Porque os compreendemos e temos amizade se nunca lhe apertámos a mão e lhe demos um beijo? Porque sentimos saudades, e que saudade... de quem nunca vimos? Porque esperamos ansiosamente que mandem notícias todos os dias? Porque sentimos falta de quem sabemos que não vamos ver no dia seguinte ou se algum dia os veremso?

Os da Net que conhecemos pessoalmente, os que não são virtuais, esses serão amigos verdadeiros? Alguns serão outros não. Alguns simplesmente passam na nossa vida e seguem indiferentes o seu caminho, porque não gostaram do nosso aspecto ou da nossa maneira de ser, só se manifestando em grupo, quando a isso são obrigados, incapazes de um gesto, de um carinho, de uma atenção individual. Mas estes amigos contam? Não contam, claro que não contam, mas produzem desagrado e muita dor, na sua indiferença e insensibilidade.

Temos amigos verdadeiros? Temos com certeza.

Amigos são todos aqueles que dividem connosco os maus e bons momentos, aqueles momentos que partilhamos através do fio ou pessoalmente, aqueles por quem sentimos amor e choramos por eles quando nos contam os seus problemas, aqueles que estando longe e doentes, não esquecemos e desejamos encurtam distâncias para os podermos visitar.

Aqueles amigos que nos ouvem e nos dão apoio quando estamos em baixo, nos dão a palavra mágica para as nossas dores, aquela palavra que estávamos a precisar no momento certo. É como enxugar as nossas lágrimas sem interesses e sem maldade.

Aquele amigo que estando longe sente a nostalgia da distância, que nos manda um mail, um SMS, uma PM, um telefonema para dizer... "Tenho saudades tuas" e manda uma simples flor a dizer, Bom Dia! São simples gestos que nos fazem viver e sentirmo-nos enormes e nos fazem sorrir.

Para mim os amigos são pérolas preciosas que temos guardadas no peito, são flores que temos de alimentar e fazer florir a cada momento. Verdadeiros amigos são aqueles que nos dão apoio e nos protegem individualmente, que sofrem e se alegram connosco.

Eu creio que ainda existe esta amizade, que é algo sublime e escasso que devemos proteger.

quarta-feira, setembro 14, 2005

ABRAÇO

Que fazer quando nos dizem que estamos bonitas e nos sentimos mal com essas palavras, ficando caladas sem argumentos e uma tristeza enorme nos invade e mil pensamento nos percorrem a mente numa velocidade estonteante?

Ontem fui cortar o meu cabelo, cabelo esse que estava demasiado comprido e eu sem paciência para grandes arranjos a não ser lavagem e secar ao ar. Fiz um corte radical, pois eu não sou pessoa de meias medidas. As pessoas conhecidas e familiares gostaram do novo visual e eu própria também gostei e me adoptei à minha nova aparência.

Hoje ao entrar num café vi uma senhora amiga e igualmente o cabelo cortado, mas como sou demasiado distraída, não reparei no corte demasiado radical do cabelo da Senhora, só depois de ela responder que eu sim, estava bonita e com um corte extremamente bem feito, é que eu reparei com mais atenção para ela. Estava Doente. Via-se na palidez da pele, no rosto sofrido e desmaiado, nos movimentos cansados e sem alento.

Senti um arrepio na espinha, ali estava a doença em todo o seu expoente máximo de tragédia e de calamidade.

Aquela senhora que eu ainda há pouco tempo tinha visto com o cabelo comprido, farto e ondulado, estava ele agora a despontar timidamente naquela cabeça que tinha sido recentemente rapada. Que palavras podemos encontrar para dar animo e força se somos apanhados de surpresa para lidar com mais um Vitima do Cancro da Mama? Que fazer perante esta maldita doença que tão mal trata as mulheres, que as esquarteja e deixa disforme?

O Cancro da Mama aparece assim de repente num rastreio de rotina e já poucas hipóteses nos deixa de sobrevivência! Revolta? Resignação? Compreensão?

Para todas as vitimas desta maldita doença em particular a minha amiga Clara por quem eu tenho um carinho muito especial, por esta senhora do café e por todas as mulheres que sofrendo na carne os desaires do infortúnio, a elas deixo o meu abraço de amizade e solidariedade.



sábado, setembro 10, 2005


Outono

Este Outono que há em mim, como um final de tarde, este calar de emoções, num céu cinzento fechado e frio, este arrepio da alma, este vento gêlido que embala os sentidos, esta chuva que me vai molhando sem sentir e que me leva a um entardecer perfeito.


Chuva!



Chuva
Jorge Fernando

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir


Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir


São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder


Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer


A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado

As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera


Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera


A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade

sexta-feira, setembro 09, 2005

Chuva! Chuva! Chuva!


Escrevi o teu nome na chuva

Desfez-se em água o meu sonho.

Cálidas mãos na procura

De um outro sonho apagado...

O meu peito murmurava

De nostalgia repleto

As frases que a chuva apagava.

Fico aconchegando a saudade

Embalando o desespero

Revivendo o passado

Sentindo a fúria do vento

Nas lembranças dos meus dias

Calando o grito de amor!

Escrevo o teu nome na chuva.

Flores para a minha mãe



A minha mãe fez dia 7 de Setembro 90 anos.
90 anos cheios de felicidade e de muito amor para dar. Feliz e lúcida. Ávida de vida e de recusa da morte. Mulher fora do seu tempo.
Para ti mãe, por tudo o que me deste, por tudo o que hoje eu sou, pela amiga, companheira e fiel confidente, o meu muito obrigada.

quarta-feira, agosto 31, 2005

Alegre do meu descontentamento

Alegre é o meu expoente máximo em questões literário quer em prosa quer em poesia. Político indiscutível pelos ideais de Abril, sofreu na pele as agruras da noite longa do fascismo. Republicano de primeira água, independente e homem de esquerda. Quem não recorda tantos e tão belos poemas que com a sua voz sensual lê na perfeição, como “Trova do vento que passa” entre outros.

Não entendo no entanto, apesar de eu compreender que todo o cidadão é livre de se candidatar desde que para isso reúna as condições necessárias, o que se passa na cabeça de certas inteligências como as de Manuel Alegre por exemplo, para contra ventos e mares candidatar-se a Presidente da Republica. Não era uma candidatura falhada de conteúdo, não, Alegre é um senhor da Política Nacional, de múltiplos interesses. Neste momento porém é notório a confusão que iria trazer e o oportunismo que carregava, só iria dividir a esquerda numa altura em que é preciso a união entre essa mesma esquerda.

Alegre tornou-se numa pessoa amarga e nada sociável com as bases, é a minha opinião, pessoa intransigente e birrenta, indisponível para saudar o povo, esse povo que elege os políticos, a pedra base da democracia.

Estou aliviada com o desfecho que tudo isto teve hoje, dia 31 de Agosto do ano de 2005, o Animal Político que é Mário Soares vai arrancar com a sua candidatura à presidência da Republica, representando toda a esquerda em Portugal e Manuel Alegre vai continuar a deliciar-nos com a sua poesia.
Tudo perfeito quando acaba bem!

Trova do vento que passa 
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
 
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
 
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
 
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
 
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
 
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
 
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
 
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
 
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
 
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
 
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
 
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
 
Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.
 
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
 
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
                  Manuel Alegre

sábado, agosto 27, 2005

Mãe!!
Somos gente pequena, sem norte, quando esta palavra Mãe nos é tirada do vocabulário, andamos perdidos, confusos, com frio e sedentos de amor.

Quantas vezes limparam as nossas lágrimas, mataram a nossa fome e sede, lavaram as marcas da nossa vida e lamberam as nossas feridas. Ouviram pacientemente o nosso lamento e deram a palavra certa para o nosso enigma. Os seus braços protetores acolhiam-nos sempre nas horas amargar ou felizes, aquele beijo sentido e com sentido, protegeu-nos dos nossos inimigos imaginários ou não.

Crescemos e continuámos a alimentar este amor sincero e universal e eis que de repente tudo mudou, hoje aquela que nos protegia e dava amparo transformou-se num ser pequenino, indefeso e passamos nós a ser os protectores, o amparo, somos nós agora aqueles que lhes lavamos as lágrimas do desespero e lhes damos alimento ao corpo, já rendido ao infortúnio da sorte.

A velhice da minha mãe dói cá dentro, por estar a perder quem tudo me dava sem um queixume, sem um lamento, por reparar que a vida está a chegar ao fim para quem tudo podia para mim. Aquele corpo forte, está a definhar sem hipótese de voltar atrás e sem eu conseguir parar o tempo. Sinto frio e cruzo os braços num desespero de impotência contra o tempo, à espera do dia em que a figura principal da minha vida parta à procura de outros tempos de outras vidas.

Hoje sou eu que a protejo, mas sinto medo de não saber cumprir o meu papel de mãe da minha mãe. Olho para aquela figura frágil, pequenina, aquele corpo dilacerada pelo passar dos anos e procuro encontrar o passado, os dias em que na minha infância a minha mãe sorria e cantava para me embalar e não encontro semelhança. Fico triste e as lágrimas correm-me pela cara na esperança de ver aquelas mãos virem ao meu encontro para limpar o meu rosto. Sinto o tocar dos seus dedos, o murmúrio das suas palavras como um canto de sereia a embalar os meus sonhos. Acordo e sou eu que a embalo nos meus braços, para lhe dar força e carinho, para a amparar na caminhada do fim da vida, para que não sinta as pedras do caminho, para que não sinta fome, nem sede, nem frio, para que sinta o conforto e protecção que eu senti quando era criança.

Hoje sou Mãe da minha MÃE!

domingo, agosto 21, 2005

Portugal veste-se de negro

Fogos em Portugal

Cinzas nada mais


É com imensa tristeza que vejo o meu País a arder A mágoa de ver e ouvir aquelas gentes, chorando e gritando, já está dentro de nós, como fazendo parte do nosso dia a dia, chegando a ficar indiferentes ou como ouvi no café no outro dia, “eu já nem vejo TV, não suporto ver os fogos, é preferível ignorar”, como se assim conseguissem acabar com a tristeza e miséria com que alguns ficam.

Portugal veste-se de negro, assim como aquele velho que com dor na alma chorava baixinho tudo o que tinha perdido, mas seguia caminho porque ainda tinha muito que fazer. Muito que fazer! Com 90 anos, e toda uma vida destruída pela incúria dos que nada sabem da vida. Começar de novo, dizia a locutora, mas como é possível começar de novo? Onde ficam os sonhos? As lembranças? Ficam nas pedras calcinadas, num pedaço de madeira queimado. Aqui e ali um lugar onde ontem encontraram a felicidade, uma parede, uma laje um ou outro objecto carcomido pelo fogo e pouco mais, há lágrimas negras de raiva, de impotência, e sem saber como passasse a odiar algo ou alguém que desconhecem.

Com o passo trôpego e desequilibrado devido a tão avançada idade, caminham pelos terrenos de terra queimada, à procura de algo que tenha sobrado, algo que o fogo tenha poupado e traga à lembrança aqueles dias que pertencem ao passado e não podem voltar nunca mais. Só resta a desolação, a morte anunciada.

Mas o País segue o seu rumo, sem se voltar para ver esta desgraça que cada vez calha a mais gente, o País veste-se de negro e os homens, aqueles que podem, nada fazem. Como é o futuro destes velhos que tanto trabalharam para ter um cantinho e um pé-de-meia que lhes possa dar um futuro minimamente garantido? Quem lhes dá as recordações de uma vida?

Deixam cair os braços com o peso da raiva e do desespero, mas há porem alguém que diz que tem de trabalhar e não pode ficar ali à conversa. Tem 90 anos!!

Por este velho de 90 anos, que sabe que tem de refazer a vida mas não desanima, e por todos os Bombeiros do meu País, que tem de lutar e vencer as chamas da desgraça e da morte, vai a minha simples mas sentida homenagem. Bem hajam.

segunda-feira, agosto 01, 2005

Política Caseira

Jurei que não metia política no meu blog, mas quem é que resiste a falar das coisas que vive no dia a dia na terra onde se vive e sobrevive todos os dias?

As coisas por aqui estão de tal maneira confusas que eu já nem sei se voto, e olhem que sempre votei até hoje.

Os políticos andam a brincar aos partidos e vice-versa. Já ninguém se entende, os que eram do PP passaram ao PSD e os que eram de um Movimento cá do burgo passaram a PSDs, ou será ao contrário? Sei lá, isto é uma grande salada.

O Presidente da Câmara, actual PSD, é agora do Movimento da Terra, isto ainda existe?

O PP não se entende com a concelhia ou será a concelhia que não se entende com os candidatos?

O PC, partido perdido à nascença aqui na Terra dos troca-tintas políticos, mantém-se calma e sereno. O PS ainda mexe alguma coisa, abana devagarinho, não convém fazer muitas ondas. Pode ser que…

Como vai isto acabar? Quem será a alma iluminada que dá continuação à monotonia em que esta terra caiu?

Será que a abstenção vai ganhar mais uma vez?

A ver vamos, como dizia o cego!!




A Zetta Maria

Há quem diga que sou rafeira, outros que sou Podenga pura, não sei ao certo. Mas sou uma cadela com muita sorte, disso tenho a certeza.

Vou contar-vos a minha curta história de vida:

Vim parar a um canil de Torres Vedras juntamente com a minha mãe e irmãos, quando num dia chuvoso de Setembro, tinha eu 2 meses, apareceram umas pessoas visitar o Canil. Entre elas estava uma humana que me pegou ao colo para poderem tirar os meus irmão e a minha mãe que finalmente tinham encontrado um lar, eu ficava sozinha.

Eu comecei a tremer de medo e de frio ao colo dela, quando eu estremeço ao ouvir dizer:

Como é que eu consigo pôr esta coisinha tão pequenina e tão fofa lá dentro, outra vez? Seria que estava a falar de mim? Seria que eu também ia sair daquele pesadelo? Mas outra voz mais firme disse, “ E os gatos? Como vai ser?” Logo se vê!!! Respondeu a humana que me tinha ao colo, senti mais festinhas e começamos a fazer uma caminhada desconhecida para mim, entramos numa casinha, trocaram umas papeladas e assinaram mais uma papéis e hei-me de repente na rua!

Depois de uma longa viagem, eu tenho só dois meses e nada sei deste mundo de humanos, fomos sentados numa coisa que se chama carro, e depois de “voar-mos” algum tempo entrámos numa casa onde me esperavam 4 gatos enormes!

Senti medo, fiquei entre a atrevida e a medrosa, cheirei tudo o que me foi possível, e aquelas criaturas que eu nunca tinha visto, também me cheiraram, mas os humanos não deixaram que me acontecesse nada de mau. Estava quentinho ali, tinha frio, fome e sede, deram-me de comer e beber e eu adormeci numa caminha fofinha e quentinha.

Sei que durante o meu sono, vieram os “gatos” cheirar-me, mas eu não dei por nada, queria ficar assim quietinha para sempre.

No dia seguinte fui outra vez de carro ver um Senhor de bata branca, que me deu uma picadelas que detestei, mas fiquei muito quietinha, com medo de regressar para aquele sítio frio e escuro.

Fui crescendo num ambiente agradável, com muita disciplina e alguma brincadeira, preferia ao contrário, mas a minha dona, já é minha dona aquela humana que me pegou ao colo no canil, diz que tem de ser assim, que tenho de aprender a ser uma cadela muito asseada e obediente.

Agora já tenho quase 2 anos e a minha casa de banho não é igual à dos gatos, a minha é enorme e chama-se rua, é lá que a minha dona diz que tenho de fazer as minhas necessidades, que ela apanha num saquinho e mete no caixote do lixo.

Adoro viver com os meus amigos gatos, principalmente do Félix e da última aquisição da minha dona o Sir, gato que ela encontrou na rua abandonado, tinha 2 meses. Sou feliz, meio destravada e muito barulhenta, mas os meus donos gostam de mim mesmo assim.