terça-feira, março 07, 2006

Dia 8 de Março- dia Internacional da Mulher!

Dia 8 de Março
Dia Internacional da Mulher



Para nós mulheres, por tudo o que já conquistámos e por tudo o que ainda nos falta conquistar. Para todas as outras Mulheres que vivendo em sociedades subdesenvolvidas, não conhecem a palavra igualdade.
E para todos os homens que nos ajudaram a alcançar o nosso lugar no Mundo.
Para que todos juntos possamos construir um Mundo Novo.


*****************

Calçada de Carriche

Luísa sobe, sobe a calçada,
sobe e não pode que vai cansada.

Sobe, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.

Anda, Luísa. Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas
não dá por nada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.

Anda Luísa. Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,larga que larga,
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa, larga que larga,

Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada,

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Fim de um mandato

Está a chegar ao fim o mandato do Presidente Jorge Sampaio.
10 anos de bons e maus momentos. Soube comandar os destinos do país com Honra e Sobriedade, apesar das adversidades que se lhe depararam. Agora outros homens, outros destinos, outro capitulo se abre para Portugal. Vamos ver as saudades que este Senhor nos vai deixar!

segunda-feira, março 06, 2006

E o Óscar foi para!!!!!!



O filme realizado por Paul Haggis, «Crash»Colisão» na versão portuguesa), recebeu o Óscar para Melhor Filme do ano.
A obra protagonizada por Don Cheadle, Matt Dillon e Sandra Bullock derrotou o grande favorito «Segredo de Brokeback Mountain», que recebeu a estatueta para Melhor Realizador, atribuída a Ang Lee.
Desta forma, «Crash»/«Colisão», «Brokeback Mountain», «King Kong» e «Memórias de uma Gueixa» receberam três estatuetas cada um, sendo que as duas últimas películas apenas foram distinguidas em categorias técnicas.

Estive perto de acertar, apostei no "Segredo de Brokeback Mountain" mas a realidade é que quem levou a melhor foi mesmo o "Crash"!!

Do seu elenco fazem parte: Sandra Bullock, Don Cheadle, Matt Dillon, Jennifer Esposito, William Fichtner, Brendan Fraser, Terrence Dashon Howard, Chris "Ludacris" Bridges, Thandie Newton, Ryan Phillippe, Larenz Tate, Nona Gaye, entre outros.

Por sua vez, George Clooney ("Syriana") e Rachel Weisz ("O Fiel Jardineiro") receberam os galardões de melhores actores secundários.

domingo, março 05, 2006

A Alma da gente

A minha aposta é conseguir que um Blog seja o espelho da Alma de qualquer bloquista! Consegui, não a perfeição, essa para mim não existe, sou demasiado perfeccionista para a encontrar, mas tentei transmitir através daquilo que escrevo um pouco do que eu sou. Através da escrita e da imagem.
Aquilo que eu mais amo deve estar presente em tudo o que assino, ou seja o meu Alentejo, as minhas Pinturas, a minha Música, a minha Bica (café) e o que mais ou menos, bem ou mal, vou Escrevendo.
Vou tentar que essas 5 "Especiarias"
estejam aqui sempre presentes.
Para que os meus sonhos tenham o mínimo de sucesso, é fundamental a vossa presença amiga, aqui neste Blog.
Beijiiinhos
Franky

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

MULHER!

No Mundo faltam cerca de 60 milhões de mulheres, que foram abortadas por serem seres femininos, assassinadas quando bebés pelo mesmo motivo ou morreram vítimas de maus tratos", segundo dados da UNICEF.

Diz NÃO a esta realidade, solidariza-te com esta causa.



Eu...

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Zeca Afonso!


Foi há 19 anos que ele se foi!

Do "
Zeca", já quase tudo se disse, resta a memória, as saudades e as canções.
Mas não temos dúvidas, a voz de "
Grândola" perdurará para lá de todos os chacais.

Sentei-me a descansar

FUI À BEIRA DO MAR

Fui à beira do mar
Ver o que lá havia
Ouvi uma voz cantar
Que ao longe me dizia

Ó cantador alegre
Que é da tua alegria
Tens tanto para andar
E a noite está tão fria

Desde então a lavrar
No meu peito a Alegria
Ouço alguém a bradar
Aproveita que é dia

Sentei-me a descansar
Enquanto amanhecia
Entre o céu e o mar
Uma proa rompia

Desde então a bater
No meu peito em segredo
Sinto uma voz dizer
Teima, teima sem medo

Ó cantador alegre....

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Prof. Agostinho da Silva

Prof. Agostinho da Silva


"O homem não nasceu para trabalhar mas para criar"

"Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles forem meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar a mim não teríamos talvez dois corpos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes:
a de se não conformarem."

Faz 100 anos, este mês, que nasceu Agostinho da Silva, uma figura notável e um dos mais paradoxais pensadores portugueses do sec. XX. Filósofo, Humanista, cujos ideais de liberdade e de democracia o obrigarama partir para bem longe de um país conservador, intolerante, fechadoà crítica e à lucidez de espírito.Eduardo Lourenço diz que Agostinho da Silva “pode figurar na mais puraespécie de homens, dada a sua essência provocatória, o seu utopismo,o seu optimismo voluntarista, a sua “aparente recusa do trágico”. Era,ele próprio, a encarnação perfeita de uma existência transparente; umaexistência não-hipócrita. “Em todos os sinais da sua autenticidade eleaparece como um verdadeiro símbolo e até um herói da Contra- Cultura”.O tema mais significativo da sua obra foi a ênfase dada à universalidadeda cultura portuguesa, não apenas numa visão nacionalista masaberta ao mundo lusófono: Brasil, Timor, a Índia, África , Macau... É estacultura que nos distingue como um povo capaz de albergar em si“tranquilamente, variadas contradições impenetráveis a qualquer pensamentoracional” mas transparentes à luz da fé e do coração.Embarcando num sonho universalista, apresentando-se, muitas vezes,com uma extravagância de místico, como um cavaleiro do “QuintoImpério”, vem anunciar o reinado do Espírito Santo, como fim último, para “restaurar a criança em nós, e em nós a coroarmos imperador”,pois esse é o primeiro passo para a formação do império.De “um misticismo sulfuroso” pela sua visão naturalista do mundo, extravagante,não se instalou na excepção; pregou e viveu no combate aideia de excepção, numa espécie de anarquismo profético.Agostinho da Silva interpreta, pois, o tempo novo, da criação, da esperançarenovada e aberta ao futuro, em que o homem se descobre a si mesmo… (viaoceanica)

Nos últimos anos de sua vida, Agostinho da Silva tornou-se uma autêntica «Estrela» nacional graças à sua participação no programa «Conversas Vadias» da RTP1. Este avozinho com espírito de miúdo conquistou milhões de portugueses que se colavam ao écran para o ouvir. Um ano antes de morrer, com 87 anos e oito filhos adultos, admite, em entrevista ao jornalista da RTP Luís Machado, que «é muito raro» ler jornais. A não ser o «Público», salienta, «mas é sobretudo por causa do Calvin».
Obras, deste génio que dizia que só conseguia escrever quando tinha os seus GATOS ao pé dele! Original no minímo! Um Homem simples de pensamento livre!
A obra publicada de Agostinho da Silva reparte-se por diversos domínios: estudos clássicos (Breve ensaio sobre Pérsio, Sentido histórico das civilizações clássicas, A religião grega), tradução e apresentação de textos clássicos e modernos (Sófocles, Platão, Aristófanes, Lucrécio, Plauto, Terêncio, Teócrito, Catulo, Salústio, Suetónio, Tácito, Montaigne), biografias (Pestalozzi, Francisco de Assis, Franklin, Lamennais, Miguel Angelo, Pasteur, Lincoln, Robert Owen, Washington, Leopardi, Leonardo da Vinci, Montaigne), pedagogia (Sanderson e a Escola de Oundle, 0 Método Montessori), divulgação cultural, artística e científica (os Cadernos Iniciação, textos para a juventude, etc.), ensaísmo (Glossas, Conversa com Diotima, Parábola da mulher de Loth, Considerações, Sete Cartas a um Jovem Filósofo, Reflexão à margem da literatura portuguesa, Um Fernando Pessoa, As Aproximações), ficção (Herta - Teresinha - Joan). Além das obras publicadas em volume, precedentemente resenhadas sem pretensões de exaustividade, deve assinalar-se uma abundante produção de artigos esparsos por revistas e jornais, como A Águia, Dyonisos, Seara Nova, Revista de Portugal, Pensamento, 0 Instituto, Boletim de Filologia, 57, Espiral, Tempo Presente, 0 Tempo e o Modo, Cultura Portuguesa, Nova Renascença, Vida Mundial, Noticia, etc.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

MANIAS!!

OLáaaaa

Eu, que até não alinho em correntes, porque não acredito em nada disso, vou alinhar nesta, porque é fora do normal e aproxima-nos um pouco.

Fui desafiada pelo Reporter, para descriminar aqui cinco manias minhas. Como sou uma meninna muito obediente cá vais disto:

1 - Ver o Mar. (Para poder viver, renova-me por dentro)
2 - Acreditar na Amizade! (Depois choro)
3 - Tomar banho. (Cura para todos os meus males).
4 - Sonhar acordada. (e a dormir).
5 - Falar demais. (depois dá sempre arrependimento)

Chamo para responder de sua justiça:

Nokas (Entrelinhas Oneline)
Flávia (As minhas metáforas)
São (PulgasZone)
António (Barcarossa)
Laura

terça-feira, janeiro 31, 2006

Para mais tarde recordar (neve no Oeste)

Ruas do BOMBARRAL

Trabalhando de limpa parabrisas!
No dia seguinte ao nevão no Bombarral

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Que País é este??


Oi!!

Andava eu muito calmamente a passear a minha cadela Zetta, raça podenga, pequena, num "jardim público", mas já fora de portas, meio abandonado, quando de repente apareceram vindos do nada, dois cães pretos, a correr em direcção à Zetta, que de tão distraída que estava, só reparou neles já eles estavam em cima dela na brincadeira. Mas porque os animais são mesmo assim, imprevisíveis, a Zetta teve um medo terrível e de um repente conseguiu soltar-se da trela e fugiu em direcção a casa, sempre com os cães em seu alcance.
De repente, o local não é habitado, a minha cadela viu a porta de uma carrinha aberta e ala que se faz tarde, entrou lá para dentro à procura de refúgio. Eu a correr o melhor que posso e a minha prótese (da anca) me deixa, cheguei perto da dita carrinha, quando vejo qualquer coisa ser arremessada de dentro da carrinha contra o muro, perto de 4 metros de distância.
Quando me aproximei vi que se tratava da Zetta, que depois de ganir, ficou enrolada no chão, acho que mais com medo do que por estar magoada. Daí, enquanto a “BESTA” fechava a porta da carrinha eu cheguei ao local, consegui abrir a porta e perguntei o porquê de tão grande agressividade, ao que o “analfabruto”, (não quero colocar aqui os nomes que me apetece chamar-lhe) se atirou a mim aos empurrou, sempre a gritar que a cadela lhe tinha sujado a carrinha. Depois arrancou em alta velocidade pondo em perigo mais uma vez a cadela e a mim.
A Zetta está bem, não ficou com mazelas, eu tenho rotura do músculo da perna que tem a prótese.
Que fazer nestes casos? A não ser apresentar queixa na GNR e esperar que o tempo e a raiva passem!
Que Portugal é este, que cada vez estamos menos sociáveis e mais acabrunhados e selvagens?

domingo, janeiro 22, 2006

E Pronto!!!

Prof. CAVACO SILVA
PRESIDENTE DA REPUBLICA

E Pronto…

Acabou como já estava previsto!

Cavaco Silva ganhou e logo à primeira.
Foi sempre a minha previsão.

Um candidato dois Partidos, um Partido dois candidatos, tirem daí as ilações que quiserem.

A esquerda perdeu em toda a linha, espero que saibamos tirar partido dos erros cometidos e que o Novo Presidente saiba acertar os ponteiros com o governo Socialista.

Nada mais me apraz dizer.

terça-feira, janeiro 17, 2006

A caminhada II

A caminhada da minha mãe, está cada vez mais próxima do fim.
A cada dia que passa sinto que a estou perdendo. O amor maior que as nossas vidas conseguem alcançar, está no final da estrada da vida.

Amor puro de mãe, desinteressado, amigo, confidente e fiel!
Sei, sinto que estou a perder tudo isto a cada momento que passa.
Perder isto tudo, perder a maior riqueza que o ser humano consegue obter.
Doí muito cá dentro do peito.
Olho para aquele rosto sem expressão, deitada numa cama de hospital e já nem a reconheço. Ela também já não me conhece por vezes. Tem momentos de verdadeira loucura, outros de grande lucidez.
E eu continuo sem conseguir fazer nada!
Que Deus te proteja.
Um beijo enorme para ti, MÃE!

terça-feira, janeiro 10, 2006

A Caminhada!


A minha mãe está a chegar ao fim da sua caminhada.

Eu senti isso hoje, senti que a sua vontade de partir é maior do que a de ficar.

Vi os seus olhos cheios de lágrimas, numa súplica tremenda de clemência por aquilo que só “Deus” controla, o poder de nascer e morrer.

Vi a minha mãe rezar à Virgem para a vir buscar. Dói tanto, não podermos fazer nada, para tirar esta angústia do seu peito, esta dor imensa, esta revolta, por não querer ser velho e não poder ser útil aos outros. Ela deixou de lutar pela vida, o desespero tomou conta do seu coração.

Lembro o sorriso da minha mãe, ainda há pouco tempo, era uma avó alegre e simpática, sempre impecavelmente arranjada, os seus cabelos brancos de neve pura a emoldurarem-lhe o rosto bonito, pequenina e de passo ligeiro, fazia as suas compras e arranjava a sua casa como uma jovem de 30/40/50 anos. Conhecida e estimada por toda a gente do bairro, onde mora. Hoje de cima dos seus 91 anos diz não há vida, nada lhe interessa, nem a televisão, nem a rádio.

A Rádio Renascença era a sua companhia de todos os dias, conhecia todos os locutores pela voz, falava com eles, (só para os seus botões) reclamava se o programa desse dia não lhe tinha agradado, chegou a telefonar-me a contar-me de A B ou C ter sido afastado ou acabado certos programas.

Agora a Rádio já não toca. A Televisão não é ligada.

As lágrimas são a sua companhia.

A Mãe que eu amo quer partir sem data, nem bilhete comprado e eu não sei o que fazer!

terça-feira, janeiro 03, 2006

Cáceres Monteiro!

Desapareceu um dos maiores, senão o melhor jornalista português. Sabia como ninguém fazer e dar a notícia, com Dignidade, Verdade e Sobriedade.Desaparece o homem, fica a sua obra.

Partiu para uma reportagem sem regresso, com uma Visão de grande dignidade!.

À família enlutada as minhas condolências.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

FELIZ NATAL!

"Por favor, nunca abandonem os animais, principalmente nesta época do ano, eles são os nossos melhores amigos, não coloque um amigo na rua"

Para todos os cibernautas que acreditam num mundo melhor, principalmente aos meus amigos, desejo um,

FELIZ NATAL e um BOM ANO NOVO!

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Um Momento para alguém muito especial!

MOMENTOS
Pedro Abrunhosa

Uma espécie de céu,
Um pedaço de mar,
Uma mão que doeu,
Um dia devagar.
Um Domingo perfeito,
Uma toalha no chão,
Um caminho cansado,
Um traço de avião.

Uma sombra sozinha,
Uma luz inquieta,
Um desvio na rua,
Uma voz de poeta.


Uma garrafa vazia,
Um cinzeiro apagado,
Um Hotel numa esquina,
Um sono acordado.
Um secreto adeus,
Um café a fechar,
Um aviso na porta,
Um bilhete no ar.


Uma praça aberta,
Uma rua perdida,
Uma noite encantada
Para o resto da vida.


Pedes-me um momento,
Agarras as palavras,
Escondes-te no tempo
Porque o tempo tem asas.
Levas a cidade
Solta no cabelo,
Perdes-te comigo
Porque o mundo é um momento.


Uma estrada infinita,
Um anúncio discreto,
Uma curva fechada,
Um poema deserto.
Uma cidade distante,
Um vestido molhado,
Uma chuva divina,
Um desejo apertado.


Uma noite esquecida,
Uma praia qualquer,
Um suspiro escondido
Numa pele de mulher.


Um encontro em segredo,
Uma duna ancorada,
Dois corpos despidos,
Abraçados no nada.
Uma estrela cadente,
Um olhar que se afasta,
Um choro escondido
Quando um beijo não basta.


Um semáforo aberto,
Um adeus para sempre,
Uma ferida que dói,
Não por fora, por dentro.


Pedes-me um momento,
Agarras as palavras,

Escondes-te no tempo
Porque o tempo tem asas.
Levas a cidade
Solta no cabelo,
Perdes-te comigo
Porque o mundo é um momento

quinta-feira, dezembro 15, 2005

PENA DE MORTE!

Mas as crianças, Senhor, porque lhes dás tanta dor? Porque padecem assim?

Quando sabemos de casos como este, noticiado em todos os órgãos de informação, ficamos no mínimo gelados e incrédulos, depois, vamos a correr ler em que País bárbaro se deu tão horrendo crime. Mais horrorizados ficamos quando verificamos que é no nosso País de brandos costumes, que tal coisa aconteceu.

Brandos costumes! Adormecidos, impassíveis, insensíveis a tamanha dor de quem tem responsabilidades.

Afinal o que se passa no Meu País? Quando as queixas chegam, quando chegam, neste caso acho que sim, uma avó fez queixa aos respectivos serviços sociais. E o que se fez? NADA! Falamos todos agora sobre ese assunto, como falámos da Joana e de tantos outros. Depois... esquecemos e voltamos à letargia de sempre.

Alguém imagina o que é maltratar, violar e espancar um bebé de Mês e meio? MÊS e MEIO, meus Senhores do Governo, funcionários do Estado Português.

Onde anda esta gente? O que fazem quando são chamados e alertados para casos gravíssimos em que está em causa um bebé de Mês e meio, por suspeitas de maus tratos?

A Televisão portuguesa passa neste momento um programa intitulado Natal dos Hospitais, um desfile de vedetas que se pavoneiam em cima de um palco, em alegre convívio, indiferentes à dor e ao sofrimento, enquanto a Fátima Letícia, (deve ter o nome em honra da realeza espanhola) luta entre a vida e a morte. Estes programas servem para quê e para quêm? Audiências?

Cobre-se-me o rosto de vergonha pelo descalabro a que o povo português chegou. Capaz de cometer atrocidades tamanhas. Maltratar e VIOLAR um bebé de meses, é um crime horrendo, sem perdão, a pena de morte seria pequena para estes energúmenos que nunca deveriam ter sido país.

Deus erra muitas vezes, infelizmente, dá filhos a verdadeiros criminosos e esquece-se de quem os quer ter de todo o coração e não pode. Revolta? Sim! Muita revolta e dor.

Que Deus nos perdoe.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Agressão a Mário Soares



Quero expressar aqui o meu repúdio pela agressão de que o Dr. Mário Soares foi ontem vitíma.
Esta atitude só pode ser composta por desiquilibrio mental!
Com atitudes destas perde a Democracia e perde Portugal.
Notícia do Correio da Manhã.

Óbidos-Esculturas de Chocolate



Óbidos

Não necessito comentar este trabalho, as imagens falam por
si.
Bom Apetite!
(Imagens tiradas de telemóvel)

Esculturas de Chocolate




Simpatia precisa-se!

Hoje isto vai em jeito de queixa!

Queixa de um cidadão que se tem de deslocar a um hospital, por motivo de urgência.

Queixa essa que foi formalizada no tal livrinho de reclamações do Ministério da Saúde.

Ora bem, logo após me ter cortado num copo e verificado que o corte estava bastante feio e a hemorragia difícil de controlar e como àquela hora (20 horas) o serviço de saúde do Bombarral já estar fechado, tive de recorrer ao hospital das Caldas da Rainha.

Fui de carro e não de ambulância, um dado importante como vão ver, por ser mais rápido, por causa das burocracias.

Chegados ao dito Hospital, a mão bem enfeixada em gaze e com uma toalha por causa da quantidade de sangue que ainda emergia do corte. Como não ia de ambulância, ora aqui está o que eu me referia, um pouco lá atrás, tive de fazer primeiro a ficha, depois a triagem e só na minha vez, iria ser atendida.

Claro os meus familiares acharam esta situação absurda, devido ao meu estado, e tentaram saber o motivo da demora para um caso de um corte daquele tamanho e hemorragia, a “simpática” enfermeira que estava na triagem disse que eu tinha de esperar a minha vez, ofereceu “simpaticamente” uma toalha para colocar no corte, mas como ela estava a fazer o seu trabalho e eu só iria atrapalhar o “sistema”!! Eu tinha de ESPERAR a minha vez!!! Que esperasse na sala de espera, juntamente com os outros doentes, poucos.

Depois de termos reclamado novamente, fui mandada entrar e esperar lá dentro, pela minha vez. Esperei, pacientemente, nada mais podia fazer, enquanto o meu filho fazia a devida reclamação no livro de reclamações do Hospital.

Quando chegou a minha vez, fui vista por um médico que por sua vez nada pode fazer, senão chamar um cirurgião. Que só veio passado uma hora!
Eu sempre a perder sangue!!
Havia poucos doentes na urgência do Hospital das Caldas!

Senti pela primeira vez, a indiferença, superioridade e má vontade, num estabelecimento de saúde aqui no Oeste. O doente é tratado como coisa menor, sem o mínimo de simpatia e cordialidade, por parte de todo o pessoal hospitalar, que lá estava àquela hora.

Superioridade e prepotência que baste!

Como se nós, utentes, fossemos, transparentes, ou coisa nenhuma. Senti que estes senhores estão vários patamares acima de nós (doentes) e como nós nos sentimos humilhados, sós e indefesos.

Um sorriso, uma palavra simpática, um gesto de solidariedade, custa assim tanto para esta gente, que trabalha num sector tão delicado?

Todos temos problemas laborais e particulares, então porque não os largamos por umas horas e somos menos amargos e fazemos os outros mais felizes?

Um Hospital não tem de ser obrigatoriamente um purgatório de lamentações, reivindicações, reclamações e má cara! Há locais para isso.

Tentem ser um pouquinho mais simpáticos meus Senhores, para melhorar este País, que se está a transformar em autómatos sem vida. Cada vez mais os Portugueses são gente amorfa e triste.

Um sorriso pode salvar uma vida!

Sorriam por favor, acabam por receber em troca outro sorriso.

sábado, dezembro 10, 2005

Amnistia Internacional

Amnistia Internacional

10/12


A Amnistia Internacional é uma organização não-governamental de defesa dos Direitos Humanos.

Foi em 1961 que Peter Benenson, um advogado inglês, decidiu criar um movimento que actuasse de forma efectiva para evitar violações dos direitos dos cidadãos ocorridas em todo o mundo. Pensou em criar uma rede de pessoas que pudessem, uma vez informadas de casos particulares de violação de direitos humanos, escrever cartas-apelo às entidades governamentais responsáveis. Foi assim que nasceu a Amnistia Internacional.

O mandato da Amnistia Internacional inspira-se directamente na Declaração Universal dos Direitos do Homem, criada pelas Nações Unidas (ONU) em 1948. Contudo, são fundamentalmente os direitos ditos de primeira geração - o direito à vida, a não se ser sujeito a tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes, e o direito à liberdade de expressão e opinião, que são objecto do trabalho dos mais de um milhão de voluntários que fazem a AI.

Os pontos-chave do mandato da Amnistia Internacional são a oposição à aplicação da pena morte, em todos os casos; a oposição a todo e qualquer tipo de tortura, ou tratamento cruel, desumano ou degradante; a luta pela libertação incondicional de todos os prisioneiros de consciência: pessoas que não usaram nem advogaram o uso da violência, presas devido apenas às suas opiniões, à sua raça, religião, ou sexo.

A Amnistia Internacional é representada em Portugal pela Secção Portuguesa, com sede em Lisboa, na Rua Fialho de Almeida, 13, 1º; além de estar presente um pouco por todo o país, através de grupos locais como o nosso.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

John Lennon


Recordar um mito!

John Winston Lennon

Data de nascimento e morte
Nasceu em 09 de Outubro de 1940
Assassinado em 08 de Dezembro de 1980


terça-feira, dezembro 06, 2005

Velhos!


Velhos!

Arrastando os passos cansados
Levando no rosto enrugado, mil sonhos
O velho caminha, tropeça, hesita.
Como uma criança nos primeiros meses de vida
Caminha até o banco do jardim

Sentasse exausto no banco
O peito cansado
A vida foge-lhe por entre os dedos
Uma lágrima escorre-lhe pela face
Curtida pelo sol!
Saudades…

Do tempo perdido
Da infância,
Do amor,
Dos filhos,
Dos netos!

Tudo está longe,
Perdido nas grandes cidades.
Perdido no tempo
Nas redes de uma vida,
Que já foi tua
Sem paragens.

Olho para ti, velho de mãos vazias
Corpo frágil, curvado pelo peso dos anos
Olho para ti, e sinto uma amargura tamanha
Porque esperas?

Já foste jovem,
Cantaste ao vento, ao sol, à chuva.
Trabalhaste de sol a sol.
Deste pão a quem tinha fome,
Deste alegria e vida,
Deste amor e amaste.

Amaste perdidamente...
Todos os que te rodeavam,
Tinhas uma casa cheia,
Lembras-te?
Ah… como corriam as crianças!
Como riam as mulheres.
Falavam os homens!

De que falavam, lembras-te?
Da politica, baixinho, chiuuuu… era proibido!!
Da terra, das colheitas, do gado
Tanta coisa… e tu …
Tu comandavas tudo
Eras o maioral, eras o maior…
Agora…
Aqui sentado num banco de um jardim qualquer
Só…
Recordas, o tempo perdido
E essa lágrima teimosa
Que corre pala tua face,
São pedaços de vida
De vida perdida
E tu esperas…
Esperas!

Franky

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Sergio Godinho!



Lisboa!
Sérgio Godinho é Lisboa.

Sérgio Godinho, faz parte do meu imaginário. Da Lisboa que eu amo!
Apesar de ser do Porto, Sérgio Godinho, fala-nos de Lisboa como se lhe pertencesse, com alma, com razão, com coração.
As composições dele são o nosso pensamento, o nosso dizer. E porque o outro dia um amigo escreveu sobre Sérgio e Caetano, que em parceria cantam esta música, eis aqui a letra para quem gosta.


Lisboa que Amanhece!

Cansados vão os corpos para casa
Dos ritmos imitados doutra dança
A noite finge ser
Ainda uma criança de olhos na lua
Com a sua
Cegueira da razão e do desejo

A noite é cega, as sombras de Lisboa
São da cidade branca a escura face
Lisboa é mãe solteira
Amou como se fosse a mais indefesa
Princesa
Que as trevas algum dia coroaram

REFRÃO:

Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento, enfim, parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser
Tudo aquilo que parece
Na Lisboa que amanhece

O Tejo que reflecte o dia à solta
æ noite é prisioneiro dos olhares
Ao Cais dos Miradoiros
Vão chegando dos bares os navegantes
Amantes
Das teias que o amor e o fumo tecem

E o Necas que julgou que era cantora
Que as dádivas da noite são eternas
Mal chega a madrugada
Tem que rapar as pernas para que o dia
Não traia
Dietriches que não foram nem Marlénes

REFRÃO

Em sonhos, é sabido, não se morre
Aliás essa é a Única vantagem
De após o vão trabalho
O povo ir de viagem ao sono fundo
Fecundo
Em glórias e terrores e aventuras

E ai de quem acorda estremunhado
Espreitando pela fresta a ver se é dia
E as simples ansiedades
Ditam sentenças friamente ao ouvido
Ruído
Que a noite se acostuma e transfigura

REFRÃO

Na Lisboa que amanhece

As entrevistas aos candidatos a Belém!

As entrevistas para as eleições presidenciais na TV, chegaram ao fim e eu ainda não consegui ficar, nem convencida nem elucidada de coisa nenhuma.

Louçã, pouco coisa ficou, pouco sumo, alguma ambiguidade por parte do candidato e nada mais.

Manuel Alegre, para ouvir com atenção!

Cavaco Silva, não me convenceu, achei-o frio, impessoal, calculista e convencido, de quê? não sei. O que é mais grave, acheio o professor permaturamente envelhecido, não só o rosto está marcado pela névoa da ancianidade, como é um rosto triste e cansado.
A Dr. Judite de Sousa estava a jogar em casa, trabalho facilitado, para os dois, candidato e jornalista. Imparcialidade precisasse.

Mário Soares, não está tão velho como eu pensava, o ataque por parte da senhora Jornalista foi serrado, mas ele defendeu-se muito bem. Esteve um pouco agressivo, defensivo, talvez. Quis, ou tentou, falar do seu programa Presidencial mas não conseguiu, não lhe deram hipóteses. Falou-se muito de outros candidatos e de guerras entre eles, que a bem da verdade a nós, votantes, pouco importa. Avancemos Senhores, avancemos!
Assim é difícil, as entrevistas deveriam ser orientadas, mas não manipuladas.

Jerónimo de Sousa, esteve fraco desta vez, a meu ver, claro, muito simpático como sempre, mas vazio de ideias. Ficámos a saber de algumas coisas interessantes, sobre como podia ter havido alianças entre partidos da esquerda, para estas eleições, podia, mas não houve. Por culpa de alguém! Como sempre, a culpa morre solteira.

Gosto mais de debates do que entrevista, apesar de ultimamente o modelo utilizado em TV também não me agrada muito. Não dialogam entre si, os diversos candidatos. Mandam recados pelos moderadores, que esses sim, chutam a bola, entenda-se a, palavra. Não gosto!
Ainda recordo com saudades, da entrevista a dois grandes políticos, Mário Soares e Álvaro Cunhal. Frase célebre ficou desde então: “Olhe que não Doutor, olhe que não”. Ficávamos horas a ouvir a saudável e inteligente “discussão” entre estes dois grandes monstros da política Portuguesa.
A Dr. Judite de Sousa esteve sempre mal a meu ver, salvo na entrevista a Cavaco Silva, como é lógico. Aguardemos então os debates.

Ah!! Os outros candidatos, não têm direito a dar entrevistas!
Hoje dia 5 de Dezembro, temos o 1º debate, este deveras interessante, Manuel Alegre versus Cavaco Silva, a não perder.

domingo, dezembro 04, 2005

Tributo a um amigo!

Depois de alguns dias de grande luta, chegou a hora da partida. Adeus amigo Gary (cão). Fica a saudade e as recordações. Um beijo para o Gary (dono).
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Há amigos que marcam em nós uma vida!

Há um amigo meu que neste momento, sofre com o sofrimento do seu outro amigo. Eu sei que ele está a sofrer imenso com a possível perda do seu grande amigo, mesmo que o não diga, mesmo que ironize, que disfarce, mas a dor e a raiva pela impotência perante a doença e a ameaça da morte, esta lá, dentro do seu coração.

Almejo o melhor para ti, amigo lindo, que sofrer e lutas pela vida!

Eu sofro convosco e desejo que melhores o mais depressa possível. Mas se assim não for... choro por ti. Porque és grande, és o maior!

Força amigo, luta contra a dor, luta contra a raiva. E chora, o nosso amigo merece.

Força amigo, luta contra a doença que se apoderou de ti e não te quer largar.

Juntos vão vencer esta etapa tão difícil para vocês.

Mil beijos para os meus dois amigos!

quinta-feira, dezembro 01, 2005

PARABENS!!

Não posso deixar passar este dia, 1 de Dezembro sem mandar os meus parabéns para uma menina muito especial, a minha neta virtual, a Mariana.



Mafy, que este dia te traga sempre muita felicidade, por teres a honra de ser mãe da Mariana e à Mariana por ter uma mãe linda como a Mafy.

PARABÉNS ÀS DUAS!!


Para as duas um grande beijo e Salve o dia 1 de Dezmbro!



Fernando Pessoa



FERNANDO PESSOA
Faz hoje 70 anos que Fernando Pessoa partiu para parte incerta! Ficaram os poemas de um homem só.
A sua obra, a nossa história.
Desde cedo, Fernando Pessoa inventara seus companheiros. Mas seria no dia 8 de Março de 1914 que os heterônimos começariam a aparecer com toda a força. Neste dia, Pessoa escreve, de uma só vez, os 49 poemas de O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro. Como resposta, escreve também os seis poemas de Chuva Oblíqua, que assina com seu próprio nome. Logo, inventaria Álvaro de Campos e, em junho do mesmo ano, Ricardo Reis. Um semi-heterônimo de Pessoa, Bernardo Soares, em 1982 teve sua obra, o Livro do Desassossego. Álvaro de Campos e Ricardo Reis, assim como o próprio Pessoa, consideravam-se discípulos de Alberto Caeiro, mas cada um seguiu os ensinamentos do mestre à sua forma, e chegaram até a travar uma polêmica muito interessante sobre o fazer poético. A última frase de Fernando Pessoa foi escrita em inglês no dia de sua morte: “I know not what tomorrow will bring” ou “Eu não sei o que o amanhã trará”
O amanhã trouxe para Fernando Pessoa uma admiração crescente. Suas obras foram aos poucos sendo publicadas e ele é considerado hoje, ao lado de Camões, um dos dois maiores poetas portugueses de todos os tempos. Nenhum poeta, em língua portuguesa, obteve tanto prestígio em todo o mundo. O obscuro e modesto lisboeta tornou-se, assim, um nome importante em todo o mundo. Graças ao poder da palavra. Graças à magia da poesia.
"Quanto mais eu sinta,
quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidades eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora."
"Fernando Pessoa"
//

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito desta frase, t
ransformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário;
o que é necessário é criar.

Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande,

ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;

ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

Fernando Pessoa

///

Não sei quantas almas tenho.

Cada momento mudei.

Continuamente me estranho.

Nunca me vi nem acabei.

De tanto ser, só tenho alma.

Quem tem alma não tem calma.

Quem vê é só o que vê,

Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,

Torno-me eles e não eu.

Cada meu sonho ou desejo

É do que nasce e não meu.

Sou minha própria paisagem;

Assisto à minha passagem,

Diverso, móbil e só,

Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo

Como páginas, meu ser.

O que segue não prevendo,

O que passou a esquecer.

Noto à margem do que li

O que julguei que senti.

Releio e digo : "Fui eu" ?

Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa ele mesmo o autentico:

"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm."

Fernando Pessoa

http://fredb.sites.uol.com.br/pessoa.html